Os últimos 365 dias foram, sem sombra de dúvida, de fortalecimento, reciclagem e resgate. Foi reformulando conexões e demolindo ilusões que libertei a alma do cativeiro insalubre de velhas convicções.
É difícil reconhecer que se tem mais tempo vivido do que tempo a se viver. Por outro lado, é mais fácil viver o que resta em chão firme que debaixo de um teto prestes a desmoronar. É duro reconhecer que certos ciclos podem e devem ser encerrados. É mais fácil reciclar vivências. Sem radicalismo, sem dramalhão, apenas aceitando o fluxo natural da vida.
Ao reaver a esperança trazida pela espiritualidade resgatada, pude reconhecer a garoa de ânimo trazida por vínculos renovados e as rajadas de alegria entregues pela força brutal das novas amizades.
Essas pessoas chegam sem fazer estardalhaço, mas causando grandes mudanças. É uma mescla de sensações de sentido e lógica, como a brisa refrescante que sopra fininha em dias de sol quente.
Algumas dessas pessoas ainda nem sabem que nasceram em mim. Desavisadas, seguem tímidas, margeando minhas dores e aplaudindo de longe minhas vitórias, que eu sei. Igualmente valorosas têm a liberdade do arbítrio.
Antigas, novas ou possíveis conexões têm em comum o barulhinho bom que fazem. Aquele que regula, como o da chuva em dias de descanso.
E assim a vida segue em esquetes de paradoxos.
Do pesar de quem parte, porque não se sustentou ou porque sim. Do alívio de quem chega para iluminar com seus sorrisos e presença intermitente, compatível com minha missão demandante.
São pessoas que sabem que odeio atender ao telefone, mas nunca deixam de tentar.
Sabem que sempre amei aniversariar, sempre fiz questão de comemorar, mas este ano não!
Obrigada a você que se foi sem se doer e a você que chegou pra pertencer.
Deus me livre de perder a fé na humanidade! Nem em discurso raso. Eu não !