sábado, 11 de abril de 2026

Inventário do invisível

Os últimos 365 dias foram, sem sombra de dúvida, de fortalecimento, reciclagem e resgate. Foi reformulando conexões e demolindo ilusões que libertei a alma do cativeiro insalubre de velhas convicções. 

É difícil reconhecer que se tem mais tempo vivido do que tempo a se viver. Por outro lado, é mais fácil viver o que resta em chão firme que debaixo de um teto prestes a desmoronar. É duro reconhecer que certos ciclos podem e devem ser encerrados. Por outro lado, é fácil reciclar vivências. Sem radicalismo, sem dramalhão, apenas aceitando o fluxo natural da vida.

Ao reaver a esperança que só a espiritualidade traz, energias vigorosas se aproximaram de mim.

Reconhecer a brisa de esperança trazida por vínculos renovados e as rajadas de alegria entregues pela força brutal das novas amizades é  aprender a aprender. 

Essas pessoas chegam sem fazer estardalhaço, mas causando grandes mudanças. É um barulhinho bom de sensações que misturam sentidos e logica, como a brisa refrescante que sopra fininha em dias de sol quente.

Algumas dessas pessoas ainda nem sabem que nasceram em mim. Desavisadas, seguem tímidas, margeando minhas dores e aplaudindo de longe, que eu sei. Igualmente valorosas terão a liberdade do arbítrio. 

Antigas, novas ou possíveis conexões têm em comum o barulhinho bom que fazem. Aquele que regula, como o da chuva em dias de descanso. 

E assim a vida segue em enquetes de paradoxos. 

Do pesar de quem parte, porque não se sustentou ou porque sim. Do alívio de quem chega para iluminar com seus sorrisos e presença intermitente, compatível com minha missão demandante.

São pessoas que sabem que odeio atender o telefone, mas ai de quem nunca tentar ligar.

Sabem que sempre amei aniversário, sempre fiz questão de comemorar, mas este ano não!

Obrigada a você que se foi sem se doer e a você que chegou pra pertencer.

Deus me livre de perder a fé na humanidade! Nem em discurso raso. Eu não !

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