Vou deitar em posição fetal nesta página de letras miúdas e vocabulário rebuscado da minha vida que eu não consegui interpretar ainda. É aqui que me faço protagonista da minha vida. De uma vida de escolhas que saberei acertadas sabe se lá quando e se um dia.
Relativizar faz-se a palavra da vez, mais uma vez. Relacionar é que me parece não ter lugar, por sua vez. É relativo que seja minha a responsabilidade pelas perdas nas relações. E é relativo que a perda seja um dano.
O cansaço é das relações. É de acreditar fazer o certo e cair na armadilha do julgamento alheio. Hoje, jogo a toalha. Amanhã é certo que volto a usá-la ela para enxugar as lágrimas e seguir tentando. É relativo quando se dará esse amanhã.
A decepção é a morte da esperança. Mas é relativo que haja necessidade de esperançar todas as quedas.
A sabedoria está em não relativizar todas as coisas. E eu não quero nunca relativizar o amor.
A morte endossou mais uma vez o que penso sobre o amor. Eu amo de verdade quando não estabeleço condições pra amar. Não é preciso função social definida para se amar alguém. Não é necessário estar engessado em nenhum status quo. Não se demanda a permissão do outro para se amar.
Então, você que não me ama, que não me ama mais, que nunca me amou de verdade, eu não preciso da sua permissão para amar você. Eu amo porque sim. E você não pode fazer nada em relação a isso. Provavelmente nem eu. Isso é triste? É relativo.
Hoje escrevo sem roteiro? É relativo, porque depende de quem me lê, de quem lê meu escrito, de quem se vê coadjuvante desse enredo torto da minha vida.
O que não quero mais relativizar são as injúrias, as desconsiderações, as omissões e os pretextos covardes. Esses me parecem absolutos. E contra isso a única coisa que me parece possivel é o nada, também absoluto. Silencioso. A inércia da vontade. A indiferença do desejo. Que nada tem a ver com a falta de amor. Porque eu amo como ato de resistência. E eu resisto há anos. Sou boa nisso.
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