domingo, 15 de junho de 2008

Pogo-ball, Codinome e Maravilhas.


Alice nunca fora uma mulher religiosa nem tão pouco católica, mas a idéia de um santo padroeiro do pão e do amor a fizera refletir. Era realmente um santo fascinante! Atendia às necessidades elementares do ser humano: alimento para o corpo e para alma.

Também o mês de junho a alimentava de idéias: o “dia 10”, o comercial, mas expressivo dia dos namorados, dia de Santo Antônio, um presente... o que havia significado aquele presente? Tal qual a ambigüidade da palavra, os últimos acontecimentos davam margem a dupla interpretação e de ambos os lados. O mês de junho realmente parecia ainda guardar alguma surpresa. Dessa vez, outra vez, teria um par para a dança junina e mesmo que se despedisse na hora do “grande baile”, estava alegre.

E deixando de lado o passado, permitindo ficar presente apenas as boas lembranças de um lindo amor, Alice, não lutava para esquecer aquele “presente” (nem o presente do indicativo, nem a gentileza e tudo que esse representava). Por isso mesmo, acreditou que merecia maiores explanações. Quem o enviara e porquê? O que faria com aquele presente? Guardaria deixando com que o tempo o transformasse também em um lindo passado? Deveria utiliza-lo até que deixasse de ser novidade, afinal, “todo novo um dia fica velho”? Ou tentaria transformar, voluntariamente, aquele presente em futuro?

Tudo a confundia. Tudo a fascinava... ao mesmo tempo aquilo não a fazia transcender suas concepções mais essenciais. Sabia estar vivendo algo realmente novo, de roupa nova, blusa preta, nova paixão, talvez. Mas não estava iludida e isso sim doía. Não que desejasse estar sendo ludibriada, mas desde a amarga experiência de pagar aluguel e conta de água, não conseguira mais acreditar. Sabia que acordaria daquele sonho quando as cortinas se abrissem.

Ela dava espaço e se entregava a subterfúgios, companhias superficiais e alegrias flutuantes, mas sabia que acordaria debaixo daquela árvore com os gritos de “Cortem a cabeça dela!” como no conto conhecido de seu homônimo. E o que mais a entristecia é que isso não a doía...

Por Elga Arantes, 2008


4 comentários:

Flavinha disse...

Olha, temos novidades? Ahhh, conta, vai... Tenho certeza que tá rolando alguma coisa e boa!

Anônimo disse...

Também quero saber, rsrsrsrs...

Anônimo disse...

Olá Alice, Leio as suas frases sem parar... Tento estudar e aprender com cada criação, cada pensamento. Sempre admirei sua convicção, mas a sua capacidade de transformação, evolução e entrega me deixam cada dia mais fascinado e interessado.
Ser o seu "presente" em todos os sentidos me faz sentir nas nuvens por toda sintonia e reciprocidade que acredito e quero que exista entre nós.
Realmente o país das maravilhas pode ter seu tempo, mas as atitudes, que são as palavras mais sinceras que alguém pode dizer, mostram e mostrarão que existe sim, possibilidades de se acordar sem gritos ou dores. Te prometo me entregar... te prometo eu completo... se você me quiser.

Ass... " Presente "

Anônimo disse...

Viver ultrapassa todo entendimento...
Viva...