sábado, 12 de agosto de 2017

Tá acompanhando ?


"Textão" é texto grande ? Ou chato ? Ou chato e grande ? Ou prolixo e entediante?  Ou o que se autopromove ? Ou todas as alternativas anteriores?

Em princípio achei que não fosse escrever textão - seja lá o que isso signifique, agora não sei de mais nada. Mesmo porque eu sou apenas um instrumento dos meus devaneios. Mentira, sou nada. Até posso ser, mas hoje quero não.. E é disso que estou falando. Tentando falar. Hoje não quero texto psedofilosófico ou pretensioso. Não queria editar pensamentos e nem normatizar sensações. Mas se a idéia é  falar dos meus quarenta anos - isso seria um novo parágrafo?  E essa pergunta nem foi metafórica, pois estou certa de que escrevo um novo ciclo na minha vida. Tá acompanhando ?

(Mereceu um novo parágrafo ) Na verdade sempre é. Sempre que se faz essa reticência nos escritos da vida da gente ... (ou um parêntese, como esse, ou este aqui, literalmente gráfico) - tá acompanhando ? Oh God,  é  muita intertextualidade para pouca meta. Sempre que a gente para para pensar se está entrando numa nova fase,  é porque já "restatou". No meu caso, quem deu a dica foram as lentes: antes um luxo, agora necessidade. Minha visão de curta distância entrou em  recesso comigo e não retornou. Irônico, não ? Visão boa minha agora é  só a de longa distância. Logo agora que identifiquei a parte boa de fazer quarenta que é tentar entender que não posso controlar tudo o que tem por vir. Visão de longa distância pra que, então, geeente ? Gurinha mesmo estou provando desse veneno (será ?). Programei um filminho aqui e os primeiros 10 minutos me estimularam a sonambular acordada. Atendi ao chamado ( Não suponha isso. Essa linha de filme nem é  minha praia. A deixa aqui foi outra, mas não quero dar spoiler). Eis me aqui. Porque nas minhas horas de ócio faço o que tenho vontade. Não sofro mais pensando como eu era animada ( estou na área, Samia  😭). Pra ser bem franca, tento não sofrer. Tá acompanhando ?

Li outro dia que os cientistas têm reconhecido as mesmas sinapses para relacionamentos presenciais e virtuais. Junte - se a isso a informação da minha terapeuta que disse que sou romântica sim (eu negava, aliás, nego veementeme) e que o que não sou é  carente. Sentencio resoluta: não quero um namorado, quero companhia. Se for virtual, então,  que seja. Sou nostálgica,mas não idiota. Posso até não conseguir, mas, ao menos, tento me adaptar. Aos novos tempos, aos novos cremes, à nova idade - antagônico, não ? Acompanhou ?
A saudade é  da saudade. Não de alguém. Sempre fui mesmo minha própria referência  pras coisas etéreas.

Semanticamente, textão. Mas como a beleza na minha idade, o conteúdo do texto ficou meio que discussão política  em boteco no final de noite: sem empirismo nenhum. Porque dizem que a beleza é  intuitiva. ( tá acompanhando ?) "A beleza interior!". Balela ! Nada como o viço da pele. A juventude é  linda !

"Não troco minha vida aos 40 pela que eu tinha aos 20 e poucos"  ( ahã, tá! ). "Ahã, tá ",  pra mim, viu ? Antes que venha algum pos-mod de plantão polemizar meu divã eletrônico.

No confessionário eu diria do sorriso sarcástico que ensaio quando leio textos que padecem na idade balzaquiana. Ei ! Psiu! (Não) Desce daí. Aí é  o cume. Olha que vista ! Não perde o momento olhando a descida que te espera. Contempla a paisagem. É  a mais linda  de todas. Maturidade e independência na medida certa. Metabolismo ainda não é  inversamente proporcional, apesar de desacelerado.  Tá acompanhando ? Que bom pra você,  porque eu já me perdi no título. Do texto. Do filme. Da idade (a da loba ).

Falando nisso, deixe eu voltar a trama agora que lá libertei meus demônios  e posso agora encarar o coelho de 2 metros que prevê o apocalipse.

O fim do mundo não chega aos 40, concluo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Minha mãe

Se eu for mais forte que minha vaidade, esse escrito será uma declaração de amor em vida. Digo em vida porque tenho os olhos cansados de chorar a dor do outro que só descobre o quanto de amor cabia em si, quando parte do seu coração já se foi. E o meu tem estado exausto de tentar sem conseguir. Tentar aceitar que um dia “não seremos mais, nem mesmo, apenas uma foto em um porta-retratos”. A ideia, na verdade, é que meu medo de ser aquele outro seja maior que minha timidez invertida. Invertida porque não se deve haver constrangimento ao se falar de gratidão que, pra mim, sempre foi, disparadamente, o sentimento mais maravilhoso de todos. Sem gratidão não há amor... E o seu amor, sempre tão responsável e raciocinado, ao ponto de mostrar sempre com atitudes o significado do adjetivo incondicional para o mais sublime dos sentimentos, nos condicionou a gestos “apenas”. Corretíssimo, aliás, como você sempre foi. Mas a humanidade que te qualifica, ainda bem, se mostrou na lacuna que caberiam tantas palavras não ditas. E assim você nos conduziu até onde pôde. Até aqui. Até hoje, que é o máximo de certeza que nossa finitude permite.

 E como é sabido que os clichês só se tornam poesia no momento em que podem ser colocados em prática (geralmente, quando na própria vivência), o mal se reverteu em bem.  No tempo em que, tão recentemente, a doença da alma em mim se manifesta, contraditoriamente se sente remediada simplesmente na sua existência. Na certeza do seu amor. E essa certeza que me motiva a ser justa e retribuir, mostrando que palavra também é afeto. A palavra solta, sem exemplo, é código apenas, mas como legenda para o amor é afago, é calor, é conforto.

 Você já sabe, claro, que me salvou de mim mesma. Se tudo é como você acredita - e como eu desejo que você esfregue mais essa lição na minha cara (!) – você veio com uma missão. E tenha certeza, uma delas foi me salvar. Não. Eu não sou como você. Eu não seria o que sou, se não fosse você. Aliás, eu seria ainda menos do que não sou, se não fosse você. Eu não sou tão honesta, nem tão solidária, nem tão bondosa como você. Isso porque não me atrevo a mencionar meu caráter duvidoso comparado ao seu. Se aqui (?) estamos para evoluir, e tomando como suposição subjetiva que não existe “desevolução”, cada passo dado adiante devo a você. E saiba: a cada tropeço cometido, e eu cometi incontáveis, era o seu rosto que vinha a cabeça. E o olhar de decepção ou a palavra de reprovação doeram mais que qualquer consequência que esse vacilo tenha me trazido. Por vezes, isso não me impediu de fazer coisas erradas. Mas tenha certeza, na maioria das vezes, foi só por você que não as cometi. Desculpe, não tenho a mesma firmeza de caráter, nem a mesma fé. Mas sou grata demais para não pensar em você em todas as vezes que tive que parar para pensar em como agir. Não há nenhum ser humano que eu já tenha convivido ou conhecido a história que eu admire mais que você. Alguns se aproximam bem, não nego. Mas sem superação.

 E como você sempre nos ensinou, a vida é luta! E tenho lutado para sanar minhas imperfeições. A batalha é contra mim mesma. A meta é de deixar um legado para minhas filhas, que só de nascerem já deixaram os delas. Olhar para elas é me obrigar a olhar no espelho, todos os dias, e desejar enxergar você.

 Carregue com você a certeza eterna de que se em outras vidas eu puder escolher a mãe, eu gostaria de ter o privilégio de voltar a ser sua filha.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Parágrafo único - inciso I, do artigo você.


Não é que eu não saiba. Eu sei jogar, jogo até bem. Só que não gosto. Não para isso. Não neste momento. Não estou a fim de gastar, à toa, minhas energias. Como você sabe, jogo é jogo e treino é treino. E eu preciso exercitar o ato de ter alguém por perto e você veio bem a calhar.

Desse tipo de ilusão até gosto. Uma espécie de quimera funcional. Beneficiamento de sensações, sabe como? Aprimorar para depois distribuir. Sonhar acordada que vou me apaixonar de novo, a essa altura da vida. Então, antes que eu me apegue de vez à ideia de estar sozinha, vou me apegando a esse laboratório que é você. Quero praticar o abstrato e preciso do concreto para idealizar. E só consigo me manter sã, nessa minha loucura, tendo alguém para entrar na camisa de força comigo.

Logo, dispa-se dessa ruga que anuvia seu semblante. Lindo, por sinal. E não... não se assuste ! Isso também não é uma declaração de amor. Portanto, ouse. Não precisa pisar em ovos comigo. Não tenha medo que aquela mensagem ridícula me faça cair de amores por você, de repente. Não viaje acreditando que qualquer viagem que façamos juntos seja a celebração de algum contrato social. Sei me colocar no meu lugar (que quero) e sei bem o lugar que quero que você desocupe, quando eu ocupar todo o espaço na vida de alguém.

Peguei você em consignação e como, no caso, ninguém usa ninguém, nos devolveremos quando acabar esse evento !

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mala indireta


Apropriação indébita. O medo de me fazer autora do crime, me paralisou. O medo de agir como dona de algo recebido como numa espécie de empréstimo, e em confiança, me fez desistir.  Não acho que tenho nada de relevante a acrescentar. Nem de original. O que li hoje encerrou minhas explanações, até então suspensas, sobre o “híbrido da saudade e da expectativa”.

Mas o desassossego tem agora outra natureza. Preciso expurgar. Um tipo de purificação de uma doutrina perniciosa que quer rotular e sistematizar sensações, que são, algumas vezes, pré- sentimentos (conceito também inacabado).

 A novidade é que dessa vez não sinto a necessidade de expor com minúcias, como que numa súplica para ser compreendida. Hoje, sinto-me aliviada. Que seja um oásis temporário, não me importo. Tenho aprendido a não tentar controlar o futuro, atitude mãe de toda ansiedade.  A sensação quase inédita de me perceber de alma desnuda, que é mais do que simplesmente me fazer entender, é boa demais. Não quero tentar decifrar mais nada.


 Hoje não.

Mala indireta


Apropriação indébita. O medo de me fazer autora do crime, me paralisou. O medo de agir como dona de algo recebido como numa espécie de empréstimo, e em confiança, me fez desistir.  Não acho que tenho nada de relevante a acrescentar. Nem de original. O que li hoje encerrou minhas explanações, até então suspensas, sobre o “híbrido da saudade e da expectativa”.

Mas o desassossego tem agora outra natureza. Preciso expurgar. Um tipo de purificação de uma doutrina perniciosa que quer rotular e sistematizar sensações, que são, algumas vezes, pré- sentimentos (conceito também inacabado).

 A novidade é que dessa vez não sinto a necessidade de expor com minúcias, como que numa súplica para ser compreendida. Hoje, sinto-me aliviada. Que seja um oásis temporário, não me importo. Tenho aprendido a não tentar controlar o futuro, atitude mãe de toda ansiedade.  A sensação quase inédita de me perceber de alma desnuda, que é mais do que simplesmente me fazer entender, é boa demais. Não quero tentar decifrar mais nada.


 Hoje não.