quarta-feira, 16 de julho de 2008

Enquanto isso, no lado ocioso do meu cérebro...


Garutatar já andava (às vezes se arrastava) cansada de tanto peso que carregava diariamente nas costas. Mas também sabia que era agraciada por ter uma 'moradianoite' própria.

Pensava na aranha Dalubeca que sofria frequentemente o árduo trabalho de ter que tecer uma nova trama cada vez que o 'espalhanador' vinha lhe tirar a tranqüilidade de seus dias, destruindo toda a bela, mas frágil 'tetéia'.

Também se solidarizava com dona Dalhama Samomi, 'rumumuminante' de nome e sobrenome tradicionais que vivia também tempos invertidamente estranhos. Soubera que já há algum tempo, a, não mais tão distinta, senhora dona vaca, até aluguel pagava para morar nas verdes pastagens do 'rirricoatoa' fazendeiro. E dizia sempre que os baldes de leite retirados todos os dias lhe rendiam uma 'estalfafa' difícil de suportar.

O 'Cavavailá', incentivador nato de superação de obstáculos na floresta, dera à Garutatar a idéia de procurar pela fada. Chegou a apostar que andaria de pijama um ano na floresta se tal intento não rendessem os resultados esperados. A tartaruga tinha, então, decidido. Acharia a tal fada dos desejos, Free Will, e lhe exigiria sua cota de pedidos. Soubera por Nafuça, 'fofoca' de plantão, que, todas as manhãs, Free Will dedicava pelo menos duras horas jogando tênis, pois não suportava mais as gozações daqueles serezinhos 'desengorilaçados' que espalhavam pelos quatro cantos que a semelhança da fadinha com aquela baleia hollywoodiana não era apenas o nome. Todos 'capivariram' em risadas.

Estava ela suando horrores, afinal, eram noventa e nove (?) os tênis que jogava diariamente. Tais calçados eram da já senil amiga centopéia – nascera aleijada, a 'inveterarbrada'! Pobre! Por isso, apelidaram-na desde cedo, "Com":

-Se não é 100, só pode ser Com. E riam-se rãrãrãrãrã.........
(tá bom... essa foi fraca!)

Quem assim explicou foi a longa língua da esposa de SasaPofado. Este vivia pulando a cerca, enquanto ela lavava toda a roupa suja de 'lixúria' – ele era o gari da floresta – mas, parece, não comia assim tantas moscas. Moscas, não... Ouvira-se dizer que tinha um 'casolo' com uma inseta. A divorciada LargadaTa Furacão. Outros, especulavam ser SasaPofado amigo muito próximo do disneylândico Bambi. Mas nunca se sabe a verdade nesses casos, não é 'lesmo'? Poderia ser Lesmo...

Esperou que Free Will terminasse suas séries de exercícios e reivindicou:

- Vim requerer meu direito. E exijo meu pedido atendido.

Já havia dona Coruja explicado na escola que o senhor presidente da floresta, galo Cocolloricó, havia confiscado os desejos dos cid
adãos da floresta. Com a recessão, inflação, e com o quadro funcional reduzido – “Extinção compulsória”, diziam as más línguas dos tamanduás, que exterminavam milhares de formigas operárias todos os dias – teria ela direito, então, a um único pedido.

- Que deseja?

- Não posso pedir que me tire a carcaça, pois assim não terei onde morar. Mas quero um fardo mais leve que essa dura casca. Pensei numa carcaça de alface. Mas apesar de leve, verde é uma cor muito comum, aqui. Desejo, então, uma fashion carcaça de repolho roxo.

E, então, depois de registrar com o 'tabeliA
uAu', no 'carToTório', o requerimento, assinado em quatro vias por ele e por Perdeu, seu 'avelista', o pardau; e depois de quase três meses de espera, foi concedido o tal desejo.

Era agora uma ágil, brega e satisfeita tartaruga.

Mas um dia deparou-se com as 'maCabras', que adorando mesmo qualquer vegetal, não demoraram em lhe comer metade de sua casa. Depois, as chuvas abundantes (floresta equatorial, sabe como é!) alagava frequentemente o interior de sua morada, o que lhe havia também rendido uma bela pneumonia. As frágeis e perecíveis folhas do repolho não suportaram muito tempo.

Garutatar era agora um quase molusco (mudara mesmo de classe) e sem teto.

Perdeu sua casa e, dizem, a masculinidade. SasaPofado admirou o visual do novo indigente. Achou-o super parecido com um tal Lesmo já mencionado na história e... Deixemos essa parte da história para Nafuça - a 'fofoca'.

Mas, concordavam todos, perderia a casa de qualquer forma. O "tal leão" já estava atrás dos proprietários cobrando um tal de IPTF – imposto sobre propriedade territorial florestal - que ele não conseguiria mesmo pagar.

Simpatizante do socialismo, Garutatar concluía que livre arbítrio só poderia mesmo ser invenção de americano para ferrar a terra do Pau-Brasil.

O cavalo pagou a aposta!


É, deu zebra!

Por Elga Arantes, 2008

E.A.: Quando acabei de escrever o conto, fiquei pensando se a centopéia possuía 100 pernas, ou 100 pares de pernas. Vivendo e aprendendo. Descobri que podem ter de 15 a 190 pares de pernas. Mas, aqui, resolvi deixar como sempre foi no meu imaginário infantil: cinquenta pares de pernas; cem pernas, no total.(excetuando as aleijadas, claro!)


* * *

Quase todas as noites, quando deitamos, conto pra a Mel várias historinhas. Claro, mais simples que essa agora narrada.
Ela repete todos os meus exagerados gestos e expressões e já decorou as falas proferidas pelos personagens, falando-as simultaneamente comigo.
Mas ontem foi diferente. Em uma das conhecidas historinhas, o carneirinho pede ao lobo: " _ Não faça isso comigo..." e enquanto falava, ela fez a cara de choro e... chorou de verdade!!! Sim, lágrimas, grossas lágrimas.
- Florzinha o que foi?
- Não 'telo' mais historinha.
- Tá bom, meu bem, abraça a mamãe.
Abraçou, virou de lado e dormiu.
Emocionou-se, o meu bebê!

4 comentários:

Samia disse...

E a titia, qualquer dia desses vai ter pesadelo com as incríveis aventuras do quarto ao lado...

Anônimo disse...

Bacanérrimo.

Esse é seu também, né? Mas é bem diferente dos outros.

Irônico e engraçado. Adorei.

A Polly vai falar com voce amanha, acho.

Beijos.

Alessandra

Elga Arantes disse...

Se a Prefeitura não chamar rápido e as aulas do mestrado tardarem de mais, como as férias de julho das escolas, vou escrever receita culinária tembém. Só me faltava isso. E não sou nem um pouco chegada em cozinha... rs

Beijos.

Samia disse...

Mais umas 30 leituras e acho que vou entender a estorinha na íntegra!

Vou falar pro Giuliano ler...lembra dele? Lá da Serra do Cipó. Ele tbm falava tudo ao contrário e vai adorar os seus personagens.

Alguém aí tem um emprego pra oferecer a uma pedagoga com imaginação super louca?

"Jobei rapa cêvo"