segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Manjericão, polenta e pergolado.

 Que gosto será que tem o seu beijo ?

 Será que mordisca o lábio inferior e em que ritmo será que movimenta a mandíbula? Gostaria só de saber de ouvir falar, nem sonho alto em ter amostra grátis desse evento. Até a possibilidade de uma conversa em que eu possa confessar minha curiosidade luxuriosa é uma utopia que de tão cruel se faz um adjetivo qualquer que ilustre sinceridade, desejo e devoção.

Imputada em uma função social que me permite ser completamente atravessada pelo seu magnetismo e pela força colossal que você é, sigo por aqui, te ouvindo e te olhando, bem de pertinho. Ouvindo sua risada rasgando o som ambiente e exigindo que a natureza se renda a sua humanidade imperfeita e suficiente.

A incompletude da nossa relação é ao mesmo tempo castigo e redenção. Por meio do respeito que eu lhe devo, assino todos os dias uma promissória que acredito, nunca vou resgatar. Ainda assim, me encho de uma esperança pueril de que algum dia seja ela protestada ou que você me execute e acabe logo com essa vontade de um sei lá o quê que nunca vivi.

Caso contrário, sigamos assim, com nosso afeto real, ainda que ambíguo de minha parte e que nem por isso tira dela sua legitimidade. Com sua ignorância providencial sobre o sentimento inédito que plantou em mim. Com a resignação de ser grata por poder te ter integralmente para mim, quando trocamos nossa juras - por vezes veladas- de amizade eterna.

Que a cor dos seu olhos continue a encontrar a alegria dos meus ao estar com você. E que eu continue sendo mastigada pelos mesmos dentes que rasgam meu juízo e depois se arranjam em um sorriso que me faz pensar outra vez:

Que gosto será que tem o seu beijo ?

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