domingo, 12 de agosto de 2012

"Uma vez até morrer!"

De tudo o que já li sobre o Galo, foi com a visão de um não atleticano que mais me identifiquei. Foi de Joelmir Beting* a mais linda descrição, a mais sensata análise, a mais próxima sensação do que é ser atleticano. Digo próxima porque sentimento legítimo, que me perdoe o respeitado jornalista, mas só se ele nascesse de novo o teria tatuado na alma, posto que ninguém se torna atleticano, atleticano a gente nasce! Mesmo que isso vá contra a vontade alheia ou até mesmo alguma tradição familiar geracional, ou assim como alguém que nasceu em solo mineiro e na hora seguinte tenha ido viver em outras terras pelo resto da vida, nunca deixará de ser mineiro. É irrevogável.

E eu que já escrevi sobre muitas coisas, que já falei dos meu amores, de algumas dores, já falei de sentimentos e ressentimentos. Falei do meu amor incondicional pela minha filha, escrevi sobre minha profissão, fiz homenagem a pessoas que me são caras. Que até já me arrisquei a falar sobre política. Fiz textos totalmente nonsenses, cheguei a tentar fazer comédia. Só nao consegui, ainda, falar do time do meu coração.
Não é por medo, nem por nada. E antes que algum enfadonho desavisado venha mencionar o nhe-nhe-nhem da falta de títulos, previno que também não é por isso. E justifico: com o Galo tudo é assim, muito sofrido, meio invertido, na contramão, contra tudo e contra todos, como são as maiores paixões. Nosso amor é mesmo genuíno, daqueles que quer fazer o bem ao ser amado, reciproca e desinteressadamente. E foi assim que recebemos tantos títulos reconhecidos nacionalmente, mesmo que de maneira velada até pelos mais incrédulos. A nós, seus fieis seguidores, eternos torcedores, o Clube Atletico Mineiro intitulou os mais fanáticos, os mais leais, os mais guerreiros, companheiros incondicionais, amantes irremediáveis!!!
Paixão é mesmo assim, complexa para ser definida, difícil de ser descrita, é um trem custoso demais! Falar da paixão pelo concreto e bem mais fácil, porque o concreto é visível e pode ser tocado. Mas a gente não ama o palpável. A gente não! Não amamos troféus, não amamos títulos. A gente ama toda a abstração quase mística e meio mágica que nos envolve. Não amamos porque "vivemos cheios de vaidade", nem por ser "o campeão dos campeões", nem porque uma "estrela solitária nos conduz" , muito menos para "manter nosso espírito esportivo". Amamos porque "NÓS SOMOS DO CLUBE ATLETICO MINEIRO". Atleticano ama o Galo. Simplesmente amamos o Galo e ponto final. Sem motivo, sem porquês, assim, exatamente como deve ser uma paixão.

 Este ano estamos, por mais que neguemos, com aquela certeza absolutamente imaculada nos consumindo por dentro, enquanto lutamos para rejeitá-la. Este ano estamos certos de que não precisaremos voltar atrás depois de dizer que não vamos mais ao campo ou não vamos mais nos importar com futebol. Esta última, uma meia mentira já que, pra nós, o Galo não é futebol, é religião, é valor e é moral. É o que mais se aproxima da ideologia utópica do socialismo: igualdade entre todos da nação alvinegra. Não nos diferenciamos por sexo, nem por cor, estatus social ou situação financeira.

Mas advirto: não se enganem. Este não é um texto sobre o Galo. Esse texto fala da minha total incompetência e insignificância para falar de algo tão Glorioso. Porque, meu amigo, se algum dia eu me sentir capaz de falar sobre o meu time adorado, você se sentiria obrigado a parar para sentir o significado de cada palavra impressa diante de seus olhos. Até o vento que balança aquela famosa camisa alvinegra* no varal iria parar de soprar para ler minha declaração; o próprio Roberto Drummond, muito capaz fosse, reverenciaria meus escritos.

Eu só saberia falar do meu time adorado, quando me sentisse à altura dele, e para isso, precisaria estar além dos céus; ter passado desta para melhor. E então, para não ter que me manifestar por psicografia, posto que o médium poderia não ser atleticano, faria nascer em um dia nublado, um arco-íris alvinegro, depois de uma chuva de gotas preto e brancas. Para que os  menos aventurados pudessem sentir, uma única vez, o êxtase irresistível que provoca a dicotomia das cores em uma autêntica atleticana.

Com muita raça e orgulho!

2 comentários:

MR disse...

Pois é, uma vez fui ao Mineirão assistir a um jogo do Galo, na torcida atleticana. Vi que é uma paixão irracional, ilógica, que leva os torcedores à loucura sem explicação. Naquela época o Galo estava em último lugar. Dei muita risada com a fé da torcida, mas eu entendo o seu ponto.

Elga Arantes disse...

Entende nao... Rsrs... Pra que time vc torce MR.?