sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Para meu epitáfio

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

10 comentários:

Mulher Vã disse...

Mas isso é muito comprido pra colocar num epitáfio! =P

Vou mandar colocar assim no meu: "disseram que morri, mas vou recorrer!"

Beijo!

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, até digo que a Vã está certa, mas que tal, "impulsiva sim, mas que sempre aprendeu com isto".

Fique com Deus, menina Elga.
Um abraço.

Fabrício Romano disse...

Acho que nunca vou deixar de ser impulsivo. E vou pensar num epitáfio também, rs. Grande abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

a gente só amadurece até os 12 anos de idade. ser impulsiva é da tua natureza.


SONETO DO EPITÁFIO

Lá quando em mim perder a Humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

Manuel Maria Barbosa du Bocage


.

Marcos Satoru Kawanami disse...

é bíblico: com quantos anos Cristo foi tirar onda no templo com os Doutores da Lei?

Elga Arantes disse...

Não sei... com quantos?

***

Vã... A-DO-REI! Vou plagiar.

Mariana Ornelas disse...

invadindo e comentando...

maturidade há de se convir que não há ligação com impulsividade e sim com modo de expressão ou má respiração... qdo se respira sai mais calculista as decisões tomadas mas se respira demais pode gerar conflitos q gera mais impulsividade....pra minha pessoa tudo se trata do efeito carrocel , respire só pra acalmar e deixe acontecer, melhor sofrer com as consequencias do que do que nunca foi vivido... a duvida é pior
todos nós vivemos e tb somos assim só que uns conseguem respirar e pensar no momento e outros só depois , mas ainda acho que é melhor q respirar antecipadamente pois gera sofrimento de algo q sequer aconteceu

Gê disse...

Não entendi a comparação entre a intuição e a infantilidade. Sempre pensei que ser infantil ou ser criança era ouvir mais o coração do que a razão.
E será que intuição não pode ser definida assim? Ouvir mais o coração?
Acho que você deve sim seguir com seus impulsos, e assim que se destaca continua especial e um desafio constante.
Agora aceitar os resultados resignadamente? Não sei se é o seu estilo, apesar da teimosia extrema.

Abraços.....
Saudades....

sblogonoff café disse...

Elga, para seu epitáfio, se fosse no meu quintal, é claro:

Elga, a mais estranha de todas.
estrelinha: abril/19800000
cruzinha: 0000000/0000000

Bruno disse...

Haja mármore pra escrever isso tudo.

Mas tudo bem, tá anotado. :P