sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pensamentos de Babel em esperanto preguiçoso

A Torre de Babel (1563)
Pieter Brueghel

                                   Presume-se que na mesma altura em que se confundiam as línguas, também se originaram as diferentes raças humanas (...)
... Daí resultou a necessidade de uma forte redução na perspectiva, para baixo.
(Escher, 1994, p.7 )


Vou dar um up no visu do blog; mas hoje não, que estou sentindo muita leseira.

Vou parlare mais de política aqui em casa, que é para ver se a Dilma perde, pelo menos, no meu curral eleitoral; mas hoje não, que meu discurso quase sempre acaba em pizza.

Vou dar uma accéléré nas leituras sobre educação, que é pra ninguém falar que lá em casa o espeto é de pau; mas hoje não, que estou sem dicionário de francês.

Vou retomar meu espanhol, que é pra não ter desculpa de chegar a data da prova e eu falar que não deu tempo de me preparar; pero no hoy, que isso é promessa pra inglês ver.

Vou dar um restart na ginástica, que é para acabar com o acúmulo de tecido adiposo que se instalou aqui, ó, nessa pochete que nós mulheres odiamos carregar; mas hoje não, que é véspera de feriado e nem é segunda feira.

Vou cantar 'aserehe ra de re, de hebe tu de hebere seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi', que é porque essa música (?) tem tudo a ver com essa ragatanga neológica irracional; but not today, por hoje, fico só no ctrl c, ctrl v.

Vou deixar dessa mania boba de ficar fazendo diário eletrônico disfarçado, que é pra não dar margem para as pessoas querem achar que sabem mais de mim que eu mesma; ma no oggi, que eu nem sei se sou a pessoa que acho que as outras pessoas acham que eu seja.

Vou dar um stoppen na cevada, que é para não perder todos os neurônios antes mesmo de ter a cabeça crivada pelos pelos (viram como aquele acento faz falta?) que representam mais um alerta de: “Cuidado, respeite”, que a respeitosa maturidade propriamente dita; mas hoje não, que estou me sentindo velha demais.

Vou dar um tchau, goodbye, auf wiedersehen, nessa mania feia de ficar criticando quem usa palavras estrangeiras para escrever ou falar, que isso é quase xenofobia; mas hoje não, que minhas novas certezas, não raras vezes, se tornam precocemente esquecidas pelo desuso.

Vou dar uma repaginada nos meus relacionamentos mais estreitos e anunciar isso em bom português, que é pra não falar que não me entendeu bem. É que não sou mulher de deixar nada pra depois, understand me, ou estou falando grego?

"...porque língua boa, pra mim, é viva, dentro da minha boca e mexendo" (Autor desconhecido, como a maioria das pérolas boêmias)

Por Elga Arantes, 2010.

6 comentários:

Daniel Savio disse...

Mesmo que você não leve a fundo os assuntos, levantou vários para se pensar...

Fique com Deus, menina Elga Arantes.
Um abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Caetano Veloso que disse a frase final.

em italiano, o advérbio de negação "no", quando seguido de vogal, leva o acréscimo de um "n". daí a expressão que vc usou no parágrafo 7 fica: ma non oggi.

Marcelo Mendonça disse...

Complimenti!

A Mina do cara! disse...

eu ia comentar uma coisa aqui, mas hoje não, depois eu escrevo.

Bel disse...

Eu ia te dizer mais uma vez .... mas hoje não .. porque tu já deves saber que eu te vejo colorida e densa.
Saudades, Adorável.
Saudades dessas terras e línguas .... estrangeiras.
Muitos beijos,

Bel.

Elga Arantes disse...

Bel!!!!!!! Saudades.

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