Começou a reparar a moça. Mesmo de costas, pode perceber que era jovem. Uma pele morena meio dourada, não de sol, mas, mesmo assim, bronzeada. Tinha cabelos curtos, na altura dos ombros e encaracolados, meio avermelhados, com a impressão de macios. Não eram cabelos crespos, pareciam até sedosos e estavam um pouco úmidos. Ela deveria ter acabado de sair do banho. Tinha uma cintura bem fina e, como a calça era justa, pode perceber que tinha pernas grossas. Não era muito alta, mas era acima da média para mulheres brasileiras. Fitou sua nuca. Uma pequena tatuagem. Perguntou-se qual perfume ela usava e se seria do gosto dele. Ficou curiosa para ver o seu rosto, quando a moça se virou e, vendo vaga a cadeira ao lado dela, sentou-se ali. Não deu para observar com detalhes, mas viu que ela não era uma mulher bonita. Não era um rosto que chamava atenção pela beleza harmoniosa do rosto, mas a boca carnuda poderia parecer apetitosa para seu namorado, que adorava bocas grandes.
De rabo de olho, observou na altura do quadril da moça. Eram mesmo largo, na dose certa. Enquanto a moça se distraía atendendo uma ligação no celular, com uma voz levemente rouca e arrastando a última sílaba de cada palavra que pronunciava, ela reparou nos pés e nas mãos. Eram meio grosseiros, mas nada que repugnasse. Fingindo desvencilhar seus próprios cabelos do elástico que os prendia, virou a cabeça para o lado dela e olhou demoradamente para seus seios. Eram pequenos e ela estava sem sutiã. A moça deve ter percebido seu olhar, pois, na mesma hora, colocou o celular entre os seios, dando a impressão de ter olhado na sua direção, provocando-a. Ela, de sem graça, parou de reparar.
A partir de então, teve a impressão de que ela pressionou suas pernas contra as dela. Sem entender porque, percebeu sua respiração acelerar. Teve vontade de molhar os lábios para que ela visse. Fez. Passou os longos cabelos para o outro lado do ombro, o lado onde estava a moça, num gesto sensual. A moça virou o rosto em sua direção, fingindo olhar pela janela.
Ela não entendia mais nada. Não lembrava mais do moço, nem sentia calafrio ao imaginá-lo atraído pela moça que estava do seu lado. E, agora, sentia os batimentos do seu coração refletindo em suas partes íntimas. Sentia uma umidade e uma pulsação incomuns. O que estaria acontecendo? Isso queria dizer que era lésbica?
Achou que a moça retribuía a todos os seus olhares, suspiros reprimidos e toques dissimuladamente involuntários e discretos em seus braços e pernas. Não queria mais entender o que se passava ou o que passaria depois que descesse daquele ônibus. Queria encostar seu corpo no dela. Era isso. Não precisou tomar atitude decisiva nenhuma, pois a moça de cabelos encaracolados disse lhe entregando seu celular, “Anota seu número aqui pra mim.” Ela, que teve medo que aquele desejo, que ela nunca havia sentido, passasse, perguntou se ela saltaria ali e a outra respondeu que sim. Perguntou se podia acompanhá-la e a moça com semblante sério, e sem encará-la, respondeu que sim, novamente. “Deve ser a primeira vez pra ela, também”, pensou.
Quando desceram, a menina que não usava sutiã andou um pouco na frente até que a outra que estava a seguindo se emparelhou com ela. Entraram num prédio antigo, subiram dois lances de escada e a moça alta de seios pequenos abriu a primeira porta do lado esquerdo. Era a casa dela. Um porta retrato no aparador, na sala, indicava que sim. A moça que sorria naquela foto quis saber o nome dela, e ela respondeu: Paula. “O meu é Isadora”. Paula, sem conseguir mais conter seus ímpetos, abaixou as alças finas da camiseta de Isadora e colocou as mãos nos seios pequenos e muito duros dela. Apertou as próprias coxas uma contra a outra e quis sentir a tumescência dos bicos do peito dela com a boca. A outra gemendo baixo e sofregamente a conduziu até seu quarto. Deitaram na cama e se beijaram longamente na boca, enquanto se tocavam . Paula sentiu alguma coisa forte, uma ânsia, talvez, e, nessa hora, pediu a Isadora que se levantasse e tirasse a roupa na sua frente, bem devagar. Ela assim fez. Quando se livrou da camiseta que já estava embolada na altura da cintura, Paula pode admirar sua barriga reta adornada por uma cintura bem estreita e por um piercing discreto. Ela abriu o fecho da calça e rebolou de um lado para o outro para conseguir tirá-la. Lá estava aquela maldita calcinha. Totalmente transparente. Bastava mesmo apenas aquele triangulo ínfimo da calcinha para esconder os pouquíssimos pelos que se notava. Depois de algum tempo tateando naquele desconhecido tão instigante, Paula sentiu Isadora empurrá-la para a cama e levantar seu vestido, subitamente. Sem poder fazer mais nada, Paula extasiou-se como nunca em toda a sua vida. Isadora acompanhou o momento e, em seguida, diminuiu o ritmo do movimento que fazia.
Paula teve certeza que Isadora era uma “veterana” quando ia saindo do apartamento de Isadora sem dizer nada e ela apenas informou: “Gravei meu número no seu celular, pra quando sentir saudades, ou quiser sair da rotina”.
Paula teve certeza que Isadora era uma “veterana” quando ia saindo do apartamento de Isadora sem dizer nada e ela apenas informou: “Gravei meu número no seu celular, pra quando sentir saudades, ou quiser sair da rotina”.
Desceu a rua atordoada, mas com um sorriso de satisfação no rosto. Lembrou do namorado e duvidou que ele já tivesse sentido tamanho prazer. Pensou que poderia disputar com ele a atenção das mulheres na rua e riu. Pensou nele assistindo aquela cena que acabara de se passar. Pensou nos seios duros de Isadora que cabia perfeitamente... Pensou no corpo perfeito dele e em como era bom senti-lo dentro dela. Pensou em lhe fazer uma surpresa.
Horas depois, já no apartamento dele, deitada na cama, exaurida, depois de confirmar como era bom sexo com ele, observou o namorado ligar a TV e sintonizar no canal do jogo de futebol. Pensou que nenhum homem presta e que, por isso, de vez em quando, ligaria para Isadora.
Por Elga Arantes, 2009.
P.S.: Rendi-me às críticas e a falta de graça, editei...
P.S.: Rendi-me às críticas e a falta de graça, editei...


