terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fábula tupiniquim ou Isso não me é estranho!!


Garutatar já andava (às vezes se arrastava) cansada de tanto peso que carregava nas costas, diariamente. Apesar disso, sabia que fora agraciada por ter uma 'moradiaenoite' própria.

Pensava na aranha Dalubeca que, freq
uentemente, tinha o árduo trabalho de ter que tecer uma nova trama cada vez que o 'espalhanador' vinha lhe tirar a tranqüilidade de seus dias, destruindo toda a bela mas frágil 'teteia'.

Também se solidarizava com dona Dalhama Samomi, 'rumumuminante' de nome e sobrenome tradicionais, que vivia também tempos invertidamente estranhos. Soubera que, já há algum tempo, a não mais tão distinta senhora dona vaca até aluguel pagava para morar nas verdes pastagens do 'rirricoatoa' fazendeiro. E dizia sempre que os baldes de leite que lhe eram retirados todos os dias lhe rendiam uma 'estAlfafa' difícil de suportar.


O Cavavailá, incentivador nato de superação de obstáculos na floresta, dera à Garutatar a idéia de procurar pela fada. Chegou a apostar que andaria de pijama um ano na floresta se tal intento não rendessem os resultados esperados. A tartaruga tinha, então, decidido. Encontraria a tal fada dos desejos, Free Will, e lhe exigiria a cota de pedidos a qual tinha direito, assim como todos os habitantes da floresta . Soubera por Nafuça, 'fofoca' de plantão, que todas as manhãs Free Will dedicava, pelo menos duras horas, jogando tênis, pois não suportava mais as gozações daqueles serezinhos 'desengorilaçados' que espalhavam pelos quatro cantos que a semelhança da fadinha com aquela baleia hollywoodiana não era apenas o nome. Todos 'capivariram' em risadas.


Estava suando horrores, afinal, eram noventa e nove (?) os tênis que jogava diariamente. Tais calçados eram da já senil amiga centopéia – nascera aleijada, a 'inveterarbrada'! Pobre! Por isso, apelidaram-na, desde cedo, "Com" :

-Se não é 100, só pode ser Com. E riam-se rãrãrãrãrã.........
(tá bom... essa foi fraca!)


Quem assim explicou foi a longa língua da esposa de Sasapofado. Este vivia pulando a cerca, enquanto a mulher lavava sua roupa suja de 'lixúria' – ele era o gari da floresta. Mas parecia que Sasapofaldo não comia assim tantas moscas. Moscas, não... Ouviram-se dizer que tinh
a um 'casolo' com uma inseta. A divorciada LargadaTa Furacão. Outros especulavam ser o tal anfíbio amigo muito próximo do disneylândico Bambi. Mas nunca se sabe a verdade nesses casos, não é 'lesmo'? Poderia ser o Lesmo, inclusive...


Esperou que Free Will terminasse seu treino e reivindicou:

- Vim requerer meu direito. E exijo meu pedido atendido.

Já havia dona Coruja explicado na escola que o senhor presidente da floresta, o galo Cocolloricó, havia confiscado os desejos dos cidadãos da floresta. Com a recessão, inflação, e com o quadro funcional reduzido, teria a tartaruga direito, então, a um único pedido. “Extinção compulsória”, explicavam as más línguas dos tamanduás, que exterminavam milhares de formigas operárias todos os dias.


- Faça, pois, seu pedido. Que deseja?

- Não posso pedir que me tire a carcaça, pois
assim não terei onde morar. Mas quero um fardo mais leve que essa dura casca. Pensei numa carcaça de alface. Mas apesar de leve, verde é uma cor muito comum, aqui. Desejo, então, uma fashion carcaça de repolho roxo.

E, então, depois de registrar com o 'tabeliAuAu', no 'carToTório', o requerimento assinado em quatro vias por ele e por Perdeu, seu 'avelista', o pardal e, depois de quase três meses de espera, foi concedido o tal desejo.
Era agora uma ágil, brega e satisfeita tartaruga.

Mas ocorreu qu
e um dia deparou-se com as 'maCabras' que, adorando mesmo qualquer vegetal, não demoraram em lhe comer metade de sua casa. Depois, as chuvas abundantes (floresta equatorial, sabe como é!) alagava frequentemente o interior de sua morada, o que lhe havia, também, rendido uma bela pneumonia. As frágeis e perecíveis folhas do repolho não suportaram muito tempo.

Garutatar era agora um quase molusco (mudara mesmo de classe) e sem teto.

Perdeu sua casa e, dizem, a masculinidade. SasaPofado admirou o visual do novo indigente. Achou-o super parecido com o tal Lesmo já mencionado na história e... Deixemos essa parte da história para Nafuça - a 'fofoca'.

Mas, concordavam todos, perderia a casa de qualquer forma. O tal leão já estava atrás dos proprietários cobrando um tal de IPTF – imposto sobre propriedade territorial florestal - que ele não conseguiria mesmo pagar.


Simpatizante do 'ocialismo', Garutatar concluía que livre arbítrio só poderia mesmo ser invenção de americano para ferrar a terra do Pau-Brasil.

O cavalo pagou a aposta!

É, deu zebra!


Por Elga Arantes, 2008


* Quando acabei de escrever o conto, fiquei pensando se a centopéia possuía 100 pernas, ou 100 pares de pernas. Vivendo e aprendendo. Descobri que podem ter de 15 a 190 pares de pernas. Mas, aqui, resolvi deixar como sempre foi no meu imaginário infantil: cinquenta pares de pernas; cem pernas, no total.(excetuando as aleijadas, claro!)

** Releitura, a pedido.

*** Lembram? A zebrinha da loteria esportiva...

9 comentários:

Paty disse...

huahuahua
se eu n te conhecesse, ia falar que vc fumou um...

"Também se solidarizava com dona Dalhama Samomi, 'rumumuminante' de nome e sobrenome tradicionais, que vivia também tempos invertidamente estranhos."

o nome tradicional é malhada mimosa, mas como os dias estão invertidos o nome tb inverteu. acertei???

kkkkkkk

adorei!

quanta criatividade. aliás pra tudo, ne

t adoro, flor

Samia disse...

Plágio de si mesma não vale.
Que folga. Vai trabalhar e escrever coisa nova. Estranha!!!

Alvaro Vianna disse...

Só faltou a lula Lá para dar um jeito nisso tudo. Muito bom!

Marcos Satoru Kawanami disse...

legal! estória mais divertida e ocialista...

Corba disse...

De volta, andei viajando mas estamos aí.

sblogonoff café disse...

Anéim...
Eu tenho algumas palavras para você:
Eu te odeio mais um pouco a cada frase!
Com devoção!

Elga Arantes disse...

É isso Paty. Aliás, todos os outros nomes, também.

Lulalá !!! Como pude não pensar nisso?? Boa...

Que bão que voltou, Corba. Bão, sim!

kkkkk Michele, kkkkkk. Pq galinha d'angola? kkkkk

Corba disse...

Ainda que redundante, aqueles estava mais literal, né? Viu o detalhe da barriga, na foto? Beijos

Corba disse...

ops, "aquele estava"...