terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quem foi que disse?

Ilustração de Galvão, disponível no endereço www.vidabesta.com


Dizem que o amor e o ódio vivem juntos. Então, eu me pergunto, porque é que não odeio sua racionalidade, sua certeza comprada de segunda mão, sua frieza aparente; já que amo sua inteligência, sua segurança e o controle que tem sobre suas atitudes. Porque é, explique para mim, que não odeio essa sua mania de acumular verdades reformadas, de enfeitar com flores do campo sua impaciência ferina, sua vaidade tão comum quanto botas no inverno; se adoro o modo como expõe argumentações e justifica sua suposta superioridade de maneira lógica e despreocupada.

Dizem que o amor e o ódio andam de mãos dadas. Imagino que é por isso que odeio quando come de boca aberta ou quando ri da ignorância alheia ou quando raspa a garganta, coreografando o movimento com expressões faciais. Deve ser por esse motivo que odeio a maneira chula e indiscreta como coça sua partes íntimas, a mania horrível que tem de cuspir no chão de qualquer lugar que esteja, a falta de postura que te deixa corcunda e com um jeitão meio de jacu.

Dizem que o amor e o odio são irmãos. Tento compreender, assim, o porquê dos meus acessos de raiva não durarem mais que um dia e meio, enquanto meu amor resiste ao passar dos anos. Divago sobre a maneira instantânea como giro a fúria, e a efemeridade contraditória e plenamente autônoma dela. Penso na uniformidade, na rigidez, na pouca dinâmica das minhas antipatias, ao passo que quase duvido da complacência e das muitas facetas que possui a forte afeição sentida, sem, nunca, porém, deixar de ser amor.

Dizem que o amor e o ódio caminham lado a lado. Explique, então, se é capaz de dizer, porque é que o amor está sempre em primeiro lugar, à frente de tudo, comandando o meneio da vida.

Por Elga Arantes, 2009.



14 comentários:

Bel disse...

Querida .... saudades antes de tudo,

Vi teu recadinho pra mim. Lastimo essa despedida que te espreita ....essa dor que parece nunca se ir ... esse recolhimento pra secar as flores. Torço pra que voltes a te olhar .... pra que possas ver a beleza que te apresenta e que te sustenta em outros tantos formatos.
O amor há de chegar ...
Quanto ao texto ... esse amor que vem primeiro deveria ser o amor que lateja por nós mesmos, não achas? Parece óbvio ... mas esquecemos constantemente de nós, Adorável!
Venho exercitando esse amor primeiro.
Bom te ter por perto.
Tu sempre me inspiras!
Sempre,
Bel

Rafael Leite disse...

Sim... Amor e ódio são mesmo irmãos. Aqueles irmãos que parecem não se suportar, mas se amam. Irmãos que dizem querer ficar longe um do outro, mas morrem de saudade quando isso acontece. Enfim. Andam lado a lado, e é impossível que se separem. O amor inevitavelmete em algum momento levará ao ódio, que, por sua vez, nem sempre levará ao amor.

Tá foda.

Bel disse...

Hum .... Adorável! Entendi ... faz tempo que as flores secaram, então! Talvez ... daqui há um tempo existirão arranjo(s).
Ô querida ... queria tanto estar por perto.
um beijo, Bel.

sblogonoff café disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sblogonoff café disse...

Ow, eu adoro Grey`s Anatomy e alguns outros seriados americanos. (Como vai sua xenofobia?!!)
Bão, é que vi um diálogo lá, onde uma médica dizia pra um paciente que havia acabado de descobrir que os vizinhos que ele adorava eram traficantes de droga. Ela disse: "Pessoas fazem coisas horríveis. Não quer dizer que sejam pessoas horríveis."
Quando a gente ama, ama o pacote todo. Ama a pessoa. Pessoas (inclusive nós) têm atitudes boas e ruins. Algumas atitudes são como cócegas, a gente suporta e consegue conviver e mesmo relevar, fingir que não sente. Outras atitudes são como um soco. Tem gente que leva um soco e retribui. Tem gente que leva um soco e vai se cuidar. Tem gente que leva um soco e se cala. Tem gente que leva um soco e esquece. Mas soco e cócegas são variações da dor, com newtons diferentes. A maneira como vamos agir ou reagir refletirá a maneira como nos amamos (como disse a Bel). Nem sempre o sentimento é só em relação ao outro (...).
Mas sobretudo, se o amor vem sempre em primeiro lugar, deve ser prenúncio de algo bom dentro da gente. Se for amor mesmo, acho que prenúncio de algo bom!
Tava com saudades, moça!
Beijos!

Poliana Paiva disse...

cuspir no chão é duro e é dose...
;)

Corba disse...

tudo em cima? valeu o link! beijão

Gê disse...

Se você quer entender realmente o que são o amor é o ódio, deve estar preparada para admitir que eles não existem....., Assim como "Deus e o Diabo",.... são a mesma coisa.

Saudades de vc...
Muitas saudades...

Lucas disse...

Oi Elga, tudo bem?
Voltei hoje de férias e devagar vou voltando a vida blogueira. Gostei das suas visitas. Até já!

Lucas

Kelly disse...

"E que a minha loucura seja perdoada/ Porque metade de mim é amor/ E a outra metade também." Oswaldo Montenegro -
Acho mesmo que o ódio vem pra apimentar o nosso amor.. pra não morrermos entediados de nós mesmos e de quem amamos... Ao lado do amor? Talvez não.. mas bem pertinho!
Intensas e suaves suas palavras!
Um abraço!

Samia disse...

Quem falou?

DJ disse...

Voltei, não sei se ainda lembra!
Mas valeu!!!
O pouquissimo tempo que me resta to aproveitando aqui! Nesse mundo virtual e maravilhoso!
Como disse o sblogonoff ai em cima, quando a gente ama, ama o pacote todo!!!
E ques pacotes às vezes!!!
Adorei ter voltado e encontrado vc ainda resistente nesse mundo tão volátil!!!
Forte abraço!

Xanda disse...

Acho que o ódio não é o sentimento para andar assim ao lado do amor. Ódio é muito forte moça, talvez a raiva, a imapaciência, e toda uma série de outros sentimentos todoa eles juntos e contra o amor, sem dúvida oerdem. Mas, o Ódio não. Sentir ódio é ma capacidade de quema não ama verdadeiramente. amara a tudo eu digo não só as pessoas. PENSA NISSO!!

Mas o texto está muito bem escrito...
abraços!

Karen disse...

é minha amiga, sei bem. Mas acredite, um dia deixa de ser amor, deixa de ser ódio e vira indiferença. Aí sim, você entende o que estrela falou, era o pacote todo, mas quando os momentos de ódio são mais corriqueiros que o de amor, já não vale a pena o todo.
saudades.