
Sem futuro,
E de olhos fechados.
Para que seja entre duas pessoas que nunca se viram;
ou se olharam, se desejando,
ou se beijaram, estremecendo,
estremeceram, se “desejando”,
se tocaram, sem lembrar quem eram,
quem foram e o que seriam depois daquilo
(porque sempre somos outra pessoa depois...)
Sem a possibilidade do futuro reencontro,
Nem a certeza do definitivo adeus.
Porque o definitivo pede mais uma chance
Quando o adeus não teve certeza...
Sem crise, sem lembrar quem são,
Se embolaram, se embriagaram,
De álcool, de algo mais que algo.
De cheiro, perfume, saliva, suor,
Lembranças do que poderia ter sido,
Saudades do que não foram...
... e jogaram para sempre o passado para fora daquele carro (?).
E o hoje se lançou, desvencilhado das paginas amarelas,
O cheiro do mofo que dá agora lugar ao que eles escolhessem.
E sempre, sempre, seria agora uma escolha deles,
Só deles, sem palpite das convenções
ou as pressões do lugar comum.
Poderá ser prazer,nada, família, carinho, saudade,
Vaidade, amor, luxúria, desejo, dor, posse, alegria,
Amizade, necessidade, paixão, medo, nostalgia,dependência, consolo, espera, falta de coragem, teste,
Vício, coragem, indecisão, querer, escolha, dúvida.
Sem passado,
Sem futuro,
Mas se escolherem,
Futuramente o passado poderá ser presente!
Se escolherem.
E se não escolherem?
Será somente "doce"...
Por Elga Arantes, 2008

